Primeiros Passos

 

Em Outubro de 1980, o Jornal POVO DE FAFE deslocou-se às instalações da CERCIFAF para melhor conhecer e divulgar esta instituição que dava ainda os primeiros passos. Pelo interesse “histórico” de que se reveste, a seguir se transcreve o artigo publicado no referido jornal, na sua edição nº. 1086 (5ª. Série), de 15 de Outubro de 1980, omitindo as fotografias e os destaques inseridos no artigo.

 

CERCIFAF – Cooperativa de Educação e Reabilitação das Crianças Inadaptadas de Fafe 

 

Seus problemas e suas realidades

«Povo de Fafe» ciente do seu dever de colaborar no auxílio a necessitados, de dar publicidade e alertar as pessoas para obras de interesse social, dirigiu-se à freguesia de Antime, a fim de relatar, dando a palavra às pessoas que dirigem os destinos da CERCIFAF, as carências, os objectivos e a perspectiva futura daquela Instituição.
Dos repórteres do jornal deslocaram-se às instalações daquele centro e lá entrevistaram os seus responsáveis, senhores Padre Mota, Daniel de Oliveira, Drª. Gabriela Azinheira Vaz, José Manuel Leite Dantas, Dr. Daniel Roque, Feliz Nunes, José Carlos Soares e João Soares.

 

E logo de entrada foi lançada a seguinte pergunta:

- Como nasceu e a quem se deve a fundação da CERCIFAF e quais os seus objectivos?

 

- A ideia (e os primeiros passos) duma Escola especial para crianças afectadas por várias incapacidades, surgiu em Antime. Existe nesta paróquia uma Comissão paroquial de Acção Social, «assistência» que procura ajudar os seus semelhantes, que sofrem de carências diversas.

Em Junho de 1977, alguns elementos desta Comissão dirigiram-se ao Instituto Novais e Sousa, de Braga, para tratar do internamento de duas crianças. O Director do referido Centro adiantou que poderíamos conseguir uma escola especial para Fafe, desde que houvesse um mínimo de 15 crianças… E acrescentou que nos daria todo o apoio. Um grupo de 4 homens desta Comissão lançou mãos à obra, principiando por recolher nomes e moradas de crianças, nas diversas freguesias do concelho. Enviou, pelo correio, circulares às juntas de freguesia, aos professores primários e aos párocos. (Cabe aqui referir que o acolhimento destas entidades foi fraco. Apenas responderam uma meia dúzia).

Entretanto não foi difícil encontrar as 15 crianças. E, imediatamente, iniciámos os contactos com o Instituto Novais e Sousa para conseguirmos apoio técnico, e com o Presidente da Câmara de Fafe a fim de conseguirmos casa na Vila. Contactámos também um dos familiares que doaram a casa de Cepães à Misericórdia, o qual se mostrou muito interessado em que a casa fosse destinada a esse fim… Abordámos os proprietários doutras casas, na vila, para instalação provisória da Escola… Algumas casas não tinham as condições mínimas; e, da parte doutras, faltou a boa vontade dos proprietários…

Entretanto, abordámos o proprietário da «Casa do Ribeiro», em Antime, o qual se mostrou interessado em apoiar a nossa iniciativa.

Nesta 1ª fase, apareceram também três professoras primárias (que esperavam colocação) as quais se mostraram interessadas em dar toda a colaboração no lançamento da obra. Duas delas trabalham neste momento na CERCIFAF.

Como o Instituto de Braga não pode dar-nos apoio, encaminhou-nos para Lisboa. No início de 1978, enviámos uma exposição à Direcção do Ensino Especial, dando conhecimento da nossa iniciativa e solicitando apoio oficial.

E em 29 de Maio de 1978, recebíamos, em Antime, na «Casa do Ribeiro», um Delegado do Ensino Especial. Depois de tomar conhecimento de todo o nosso trabalho e determinação, e de ver as condições da casa, encorajou-nos a prosseguir, prometendo-nos todo o apoio.

Contactamos entretanto a Escola de Guimarães – CERCIGUI – a comunicar a nossa iniciativa, e a pedir esclarecimentos e apoios. Logo o seu dedicado director técnico – Dr. Romeu – e a assistente social – Bina – se prontificaram a fornecer-nos informações e o apoio de que carecíamos. (Deslocaram-se diversas vezes, a Fafe, para preencher relatórios… e fazer testes a algumas das crianças inscritas…). E praticamente, aqui, termina a 1ª. fase, ou seja a fase do arranque da CERCIFAF.

Com a participação de Pais e Amigos das crianças começa a 2ª fase.

A 10 de Junho, este pequeno grupo de Antime convocou todos os pais das crianças inscritas para uma reunião, na Escola Secundária, para os informar dos passos dados e das possibilidades que tínhamos de realizar o nosso projecto.

Como faltassem alguns, marcámos nova reunião e decidimos enviar nova convocatória, a fim de que a decisão fosse de todos.

Nessa nova reunião esteve também presente uma delegação da CERCIGUI (Guimarães) que nos projectou um filme sobre as diversas actividades duma Escola deste tipo, e esclareceu os presentes sobre diversas questões postas. Explicou-se as duas modalidades de Escola – Associação de Pais e Cooperativa (CERCI) – e esclareceram-se algumas dúvidas. Ficou decidido pelos presentes uma escola-cooperativa.

Como havia urgência em acelerarmos o processo, antes do começo das férias, a ver se conseguíamos a abertura da Escola em Outubro, solicitamos que os pais e amigos da obra, que tivessem possibilidades, se juntassem ao pequeno grupo inicial, para, em conjunto, estudar diversos assuntos: elaborar um ante-projecto de estatutos, exame das crianças, destacamento de professores, etc.. Ofereceram-se diversas pessoas, das quais surgiu a presente Comissão Instaladora, depois de diversas reuniões e trabalhos efectuados.

Voltamos a reunir, em plenário, no dia 01 de Julho de 1978 para apreciar diversos assuntos, e decidimos efectuar nova assembleia no dia 07 de Julho de 1978, para discussão e aprovação do projecto de estatutos. Além do aviso, colocámos na rua um carro de som, que percorreu aldeias e a vila, a convocar os pais e amigos da obra. Nessa reunião, após a discussão com algumas alterações introduzidas, o projecto ficou aprovado.

Ao grupo constituído em Comissão Instaladora, veio juntar-se, em fins de Outubro, o psicólogo – Dr. Luís – que manifestou desejo de trabalhar no novo centro a criar. A concretização deste projecto muito deve também à dedicação e competência deste técnico. (Basta recordar que durante vários meses, recebeu apenas uma gratificação de 5.000$00 mensais…). E assim damos um breve resumo dos trabalhos e participação das pessoas nesta 2ª fase. Muito mais podíamos relatar dos trabalhos e dificuldades seguintes, para conseguirmos abrir a escola, provisoriamente em Abril de 1979, e, definitivamente, em Novembro de 1979. Seria a 3ª fase.

 

Em seguida focou-se o problema do apoio que a Cooperativa tem recebido, nestes termos:

- Dado que as finalidades que esta Cooperativa de reeducação visa atingir têm grande alcance social e educativo, sentem os responsáveis que esta instituição está devidamente apoiada pelo Estado, pela Câmara Municipal, e por demais entidades, inclusive particulares?

 

- Infelizmente não. O ensino especial tem sido perfeitamente desprezado em Portugal e sempre relegado para 3º ou 4º plano; basta referir que muito mais de metade do muito pouco que está feito é o produto de boa vontade de muitos amigos destas crianças e do desespero de muitos pais, que procuram resolver por si, um assunto que deveria ser da exclusiva competência do Estado. Para cúmulo do desinteresse e sem vergonha, até a Lei do Ensino Especial aprovada, estamos à espera há mais de um ano que ela seja regulamentada, estando os prazos estabelecidos a serem sucessivamente prorrogados pela incompetência e interesses particulares de muitos dos elementos encarregados da regulamentação dessa Lei.

A entidade que mais apoia estas instituições, e o que nunca é de mais referir é a Gulbenkian, que para o seu lançamento dá sempre um subsídio de arranque (obras) de cerca de 370 contos, subsídio de equipamento da sala de trabalhos manuais, cerca de 80 contos, subsídio para material audiovisual, 50 contos, para livros, 20 contos e para a carrinha 220 contos. É, pois, a ela que se devem a maior parte das instituições e, estas, aliás já lhe prestaram a sua justa e reconhecida homenagem.

Da parte do Estado, o apoio recebido verifica-se ao nível do destacamento dos professores, apoio em 80% aos vencimentos do pessoal técnico (a CERCI paga os restantes 20% e ao pessoal auxiliar), 75 contos/ano para material escolar e 9$00 / refeição mais leite para cada aluno. Como se pode verificar, com este apoio a CERCI teria de fechar as portas e mandar as crianças para casa. O que mantém a CERCI é o subsídio de reeducação que as Caixas dão mensalmente aos alunos.

Da parte da Câmara, existe um que será atribuído anualmente (foi já atribuído pela Câmara anterior e pela actual) e, que no presente ano foi de 200 contos, os quais demos como entrada para a carrinha. É preciso que este subsídio suba, (soubemos entretanto que foi votado a 400 contos para o próximo ano) já que outras CERCIs são muito mais apoiadas pelas Câmaras locais (ex.: Câmara de Guimarães, que para além do subsídio anual, paga integralmente a renda do 1º Centro e fez todas as obras onde funciona o 2º Centro). Do Governo Civil, recebemos 80 + 50 contos nestes dois anos.

O melhor apoio tem sido o da população local que, embora não se traduzindo numa verba elevada, revela pelo menos uma aceitação e boa vontade de ajudar que deve ser realçada. Não podemos esquecer aliás que a população é sacrificada com inúmeros peditórios e campanhas em múltiplas iniciativas de valor e a que o Estado não dá resposta. Temos de referir aqui, o apoio amigo da Associação de Pais de Fafe, do Rotary Club, do Lyons Club, dos escuteiros e do Jornal “Justiça de Fafe” que com suas dificuldades concretas nos ajudaram e continuam a ajudar na campanha de fundos e, ainda das Juntas de Freguesia de Antime e Fornelos e do jornal «Amanhecer», que dentro das suas possibilidades nos dão sempre o seu apoio.

Queríamos só terminar esta questão, dizendo que é difícil viver a pensar que a resolução de muitos problemas económicos estará em muitos subsídios eventuais, que poderão chegar ou não; estes deveriam servir para um engrandecimento progressivo da Instituição e não para a sua sobrevivência diária.

 

Outro assunto controverso é sem dúvida, saber se a instituição tem corpo docente à altura. Então formulou-se a seguinte questão:

- É evidente que a reeducação das crianças tem muito a ver com a pedagogia.
Tem a CERCIFAF corpo docente à altura dos desideratos da direcção?

 

- Em relação a esta questão, a resposta terá de situar-se em 2 planos:

Um ligado ao pessoal que efectivamente aqui trabalha; outro ligado a um quadro de pessoal estabelecido como necessário, e as razões porque na CERCI esse pessoal nunca chegou.

Começaremos pelo segundo: como a nível oficial nada se faz de concreto para resolver o problema do ensino especial, também a formação de docentes é esquecida e, a pouca que se faz fica nos grandes centros. Neste momento, a CERCI não tem educadora, nenhuma professora do ensino especial e nenhuma terapeuta (ocupacional, fisioterapeuta e terapeuta da fala) e falta-nos ainda um professor de educação musical; para breve (próximo ano lectivo), pensamos resolver apenas o problema da educadora e da educação musical. As poucas terapeutas e professores do E.E., são tão poucos no país inteiro que nem para os grandes centros chegam e, referimos isto porque é uma questão real, o interior do país é quem sofre sempre a falta de planificação e má governação da parte dos governos.

E assim, e encarando esta questão com coragem e realismo, que temos de contar com as nossas próprias forças e, não desistir apesar das dificuldades. Pensando assim, arranjámos uma equipa coesa, com uma vontade enorme de ajudar as crianças e com uma dedicação total ao trabalho, apesar dos erros que por vezes se cometem, na maior parte dos casos por falta de formação teórica. No fim do ano que passou, fizemos um pequeno balanço do trabalho realizado e, podemos dizer que não sendo extraordinário, foi extremamente positivo, para uma equipa com poucos conhecimentos teóricos, o ano foi acima de tudo um ano de aprendizagem, numa tentativa de que o próximo tenha os resultados em que todos estamos empenhados. Todas as pessoas que lá trabalham, sabem à partida, que o trabalho não é fácil e que só com esforço, boa vontade e espírito cooperativo, podemos avançar na resolução dos problemas das crianças. Para evitar as insuficiências teóricas, começou-se no ano lectivo passado e, está programado para este ano a exposição de uma série de temas por parte do psicólogo, o que se fará nas reuniões do corpo técnico que se realizam todas as semanas.

Fazemo-lo porque temos consciência que a boa vontade não chega para resolver todos os problemas das crianças, mas afirmamos também que, num ensino como é o da CERCI, não seria só uma boa formação teórica que os resolveriam. É necessário proporcionar à equipa uma série de conhecimentos básicos, para que ela com a sua dedicação e carinho, consiga na verdade os resultados, em que todos estamos empenhados.

 

É fundamental para um centro de recuperação do género, que recolha meninos em todo o concelho, possuir uma viatura. Na mira de saber o que se passa neste campo, foi adiantada a seguinte pergunta:

- Consta que a CERCIFAF não possui um veículo operacional para transportar os alunos.
Pensa-se já na aquisição de uma nova carrinha capaz de satisfazer as necessidades de transporte dos alunos?

 

- Durante muito tempo, resolvemos o nosso problema de transporte, com a ajuda da Associação Desportiva que pôs a sua carrinha à nossa disposição, até resolvermos o nosso próprio problema. A determinada altura, a carrinha teve de ir para a oficina e tivemos que resolver com urgência o problema de momento. Embora sabendo que a Ford Transit, não nos resolveria o problema da melhor maneira, tivemos de aproveitar uma oportunidade que surgiu e, foi assim que a adquirimos e com ela, resolvemos a situação até hoje, embora com certas dificuldades e, a pensar num futuro próximo, compraríamos uma carrinha maior. Essa oportunidade surgiu agora; como pagámos integralmente a carrinha que temos (400 contos), sem mexer nos 220 contos que a Gulbenkian nos deu e no dinheiro que foi angariado directamente pelo «Justiça de Fafe», e como fizemos neste ano uma política económica de contenção de despesas que nos permitiu juntar algum dinheiro, resolvemos avançar para a compra de uma TOYOTA de 20 lugares que custa cerca de 1.400 contos e para os quais nos faltam cerca de 500 contos. Com esta carrinha, teremos o problema totalmente resolvido para o futuro. Lembramos que temos 42 crianças de 17 das 36 freguesias do Concelho, que, com os dois percursos (manhã e tarde), andamos cerca de 230 Km/dia e, ao pensar nesta carrinha, estamos já a pensar num futuro próximo, em que pretendemos aumentar a população par 75 crianças e alargar o número de freguesias servidas pela Cerci.

Aproveitamos para apelar desta tribuna, à população, para mais um sacrifício. Vamos acabar a campanha da carrinha, colabora nos últimos 500 contos que nos faltam.



Diz-se que as instituições do género estão conotadas com certos partidos de esquerda, e que fazem a sua política.
Perante um assunto tão polémico, os repórteres do «Povo de Fafe» lançaram a seguinte questão:

- É notório que a actividade da CERCIFAF é em si, altamente louvável.
Todavia há quem diga que tanto esta instituição como outras congéneres são demasiado esquerdizantes. Que nos diz a este respeito?



- Como ficou esclarecido no ponto 1, todo o nosso trabalho foi planeado e realizado em pleno dia, e com o conhecimento e participação das pessoas. Por isso mesmo, a totalidade da população do concelho nos deu todo o seu apoio e reconheceu o mérito e a justiça do nosso empreendimento.

Pretendemos assim salientar um aspecto muito significativo que poderá responder aos juízos apressados de certas pessoas: a Comissão Instaladora da CERCIFAF, é composta por pessoas de diferentes ideologias políticas e convicções religiosas. Todavia, ao longo destes 2 anos de trabalho, tem dado prova duma maturidade humana e política (que falta a muitos políticos responsáveis). A «política» deste grupo de boas vontades, na CERCIFAF, foi dar cada um o melhor de si mesmo em benefício destas crianças.

Felizmente, que ainda não fomos afectados pela «doença» (que invadiu muita prática política) de nos aproveitarmos das crianças e da sua obra, para angariar louros para o partido de cada um… ou para nos afirmarmos na sociedade. Esperamos que aqueles que nos tentaram paralisar ou desunir com o rótulo de «marxistas» ou «esquerdistas»… respeitem a nossa honestidade, e decidam a realizar obras semelhantes.

A CERCIFAF está a trazer grandes vantagens para inúmeras crianças e suas famílias. Serão elas, igualmente, quem amanhã reconhecerão os seus verdadeiros amigos.

Não menos importante foi o clima de entendimento e cooperação sincera deste grupo de boas vontades, que têm sabido colocar o bem estar do semelhante acima dos seus interesses pessoais.

Este mesmo espírito de cooperação em benefício destas crianças tão carecidas de carinho e apoio tem existido entre os diversos professores e auxiliares e empregados da CERCIFAF.

É este clima de colaboração e dedicação às grandes causas sociais que precisamos de fomentar. Foi esta também uma das razões que nos levou a optar por uma escola cooperativa.

Esperamos ter respondido à pergunta acima feita e às dúvidas daqueles que assim nos julgaram.

A consciência do dever cumprido para o bem estar das crianças, e a satisfação dum grupo de pessoas que têm sabido cooperar leal e desinteressadamente na CERCIFAF, são um poderoso «tónico» a compensar desgastes e incompreensões várias.

 

Por fim, e como fecho desta entrevista, formulou-se a seguinte pergunta:

- Poderá a CERCIFAF sobreviver nos moldes actuais e terá perspectivas para o futuro?

 

- Se se mantiverem os apoios das Caixas de Previdência e, se vier a ser aumentado, ainda que ligeiramente, o apoio do Estado, com uma política económica correcta, pensamos que a CERCI poderá sobreviver (ainda que não possamos esquecer que, a nível de pessoal auxiliar estamos a pagar ordenados bastante abaixo da tabela), com alguns sacrifícios. Mas, como já referimos, e é isso que lamentamos, é que só possamos sobreviver, se gastarmos todo o dinheiro que nos é dado localmente e que, quanto a nós, deveria ser para um engrandecimento progressivo da escola.

Se os apoios oficiais se tornassem efectivos, as nossas aspirações são grandes. Quer da parte da direcção, quer do corpo técnico, há a perspectiva de dar continuidade ao trabalho realizado e que consideramos o início. O nosso objectivo fundamental será a abertura de um novo centro (alargamento do 1º) de pré-profissionalização, com vista a uma continuação de reeducação das crianças, e que tem, como objectivo superior, a sua integração no mundo do trabalho. Que fazer a crianças com 17 anos, com o máximo de escolaridade possível já realizado, e que no nosso centro já não estão a fazer nada? Mandamo-las para casa, e perder tudo o que já se realizou ou continuar esse trabalho, se bem que para isso seja necessário um redobrar de esforços da nossa parte?

Estamos empenhados em continuar, acreditamos que a Lei do Ensino Especial venha a ser regulamentada em breve, para benefício das Instituições e não de vaidades pessoais. Acreditamos que também, a nível local haja um empenhamento mais efectivo ou, pelo menos, não haja obstruções, não nos podemos esquecer que só 17 freguesias são servidas parcialmente, temos muitas crianças à espera de vaga e, pensamos que, pelo menos mais de 100, estejam espalhadas pelo concelho, sem que nenhum apoio lhes seja ministrado e, sem que os pais saibam muitas vezes o que lhes fazer. Há todo um trabalho de esclarecimento a realizar mas para isso seria necessário que tivéssemos mais lugares. É preciso que esta ideia não morra, é preciso que a criança deficiente seja olhada não com sentimentos de pena, mas com as potencialidades que efectivamente tem.

Foi intenção do «Povo de Fafe», ao encetar e realizar esta entrevista, contribuir à sua maneira para o conhecimento e desenvolvimento desta obra – da CERCIFAF.
Trabalhou dentro das suas modestas possibilidades. Ofereceu com honestidade os seus préstimos. Agradeceu a preciosa colaboração da comissão instaladora.
Bem hajam vós outros que com tanto amor vos dedicais às criancinhas deficientes. Obrigado a vós que ajudais com vossos donativos o desenvolvimento desta humanitária obra.


«Povo de Fafe» estará sempre e para sempre ao vosso lado.
O nosso sincero agradecimento.

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